Depois de falarmos sobre a importância de dar liberdade e deixar as crianças se entediarem, precisamos olhar para o outro lado da moeda. Para que uma criança cresça saudável e criativa, ela precisa de espaço, mas também precisa de uma estrutura firme. Na psicologia e na psicanálise, chamamos essa estrutura de função paterna.
Mas calma! Apesar do nome, isso não tem a ver necessariamente com a figura do pai biológico. Vamos entender o que isso significa na prática?
A função paterna, não diz respeito apenas ao homem, para a Psicanálise a função paterna é um papel simbólico. Ela pode ser exercida pelo pai, pela mãe, por uma avó, por professores ou por quem quer que cuide da criança.
O objetivo principal dessa função é ser um terceiro elemento na vida do bebê. No início, o bebê e a mãe (ou o cuidador principal) vivem em uma fusão total, como se fossem uma coisa só, e é aqui que entra a função paterna, para colocar um limite saudável nessa relação, mostrando para a criança que ela e a mãe são pessoas separadas e que nem ela, nem a mãe têm o controle total de tudo (ninguém pode ter tudo).
A grande missão de quem exerce essa função é apresentar a limite para a criança, aquele não fundamental quando o filho quer tudo na hora dele. ode parecer duro, mas esse limite é um ato de amor profundo, é a partir do momento em que a criança ouve um “não” e percebe que não pode ter tudo o que quer, que ela é empurrada para o mundo real. É esse limite que ensina a criança esperar e tolerar a frustração, compreendendo eu o mundo não gira em torno dela.
Neste momento, surge a linguagem, porque se ela não pode conseguir o que quer chorando ou gritando, ela precisa aprender a falar, a negociar e a expressar seus desejos, além de entender que existem regras sociais e que os direitos dos outros também importa.
Muitas pesquisas e psicólogos na atualidade apontam que a grande dificuldade que as crianças têm hoje de ouvir um “não”, de esperar ou de lidar com regras é o reflexo de uma fragilidade nessa função de limite. Colocar limite não significa ser autoritário ou violento. O segredo está em duas atitudes:
Ser a Regra, não a Punição: O limite deve ser firme, constante e impessoal. Dizer “não pode porque essa é a regra da casa” funciona melhor do que gritar ou punir a criança por raiva da birra.
Sustentar o “Não”: Significa aguentar o choro e a cara feia do filho sem ceder. É nesse incômodo que a criança aprende a se acalmar sozinha e a respeitar o limite.
Liberdade e limite são os dois lados da mesma moeda. Uma criança sem limites não se sente livre; ela se sente perdida, ansiosa e desamparada em um mundo sem referências. O adulto que coloca limites de forma amorosa e firme não está castigando, está preparando o filho para a vida.
Escrito por: Letiery Lara Silveira
Referências Bibliográficas
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